Quanto vale um tesouro
no céu?
Mc 10.17-22.
Pr Jeovah Belchior
Muitas pessoas se entusiasmam logo ao ouvir o
convite para andar com Jesus, entretanto, quando começam a ter entendimento do
preço a ser pago por quem quiser ser seu discípulo, muitos voltam atrás.
Alguns continuam seguindo a Jesus, contudo,
mantendo a distância que lhe garanta a proteção contra as exigências que a
verdadeira vida cristã requer.
Quantas lágrimas, quantas orações fervorosas,
quantos bonitos discursos, quantas pregações poderosas e quantos corações
quebrantados desaparecem diante dos desafios da cruz.
Veja com que atitude esse homem se aproxima de
Jesus (17). A quantos você conhece que se aproximou de Jesus dessa maneira?
Você duvida da sinceridade desse homem? Será que
ele queria realmente andar com Jesus? Meditemos juntos sobre esses versículos
para ver a que conclusão chegaremos.
Ninguém quer ir para o inferno.
Se você se aproximar de uma pessoa que não serve
a Jesus e lhe perguntar para onde irá depois que morrer, colocará essa pessoa
diante de uma situação muito complicada, depois de uma ou mais respostas
evasivas dirá o seguinte: eu não sei, só Deus sabe.
E, se possível tratará de mudar de assunto. Todos
sabem para onde irão depois da morte.
Esse homem queria ter certeza de um bom lugar na
eternidade.
E depois de dizer que cumpria todos os
mandamentos desde a sua juventude, Jesus lhe diz que ainda faltava uma coisa.
Talvez alguém possa pensar que depois de cumprir
toda a lei o que qualquer pessoa merece mesmo é a salvação.
Mas, note que, para esse homem ainda lhe faltava
alguma coisa, e por isso recorreu a Jesus buscando respostas.
Salvação de ninguém pode ser adquirida através de
obra humana (Is 64.6; Ef 2.8-9). E sobre esse assunto trataremos com mais
detalhe a partir dessa próxima quarta-feira.
Veja a resposta dada por Jesus (21).
Gostaria que você atentasse para um detalhe no
começo desse versículo: “E Jesus, fitando-o o amou...”.
Em 1Co 13 o apóstolo Paulo nos dá uma breve
explicação sobre o amor verdadeiro.
O verdadeiro amor pode nos fazer cúmplices de uma
pessoa, mas, jamais nos fará cúmplices dos erros dela.
O erro de qualquer pessoa tem pode de lhe causar
muito dano, e quando amamos a uma pessoa queremos o seu bem e não mal.
E ao amar aquele homem, Jesus lhe coloca diante
de um grande desafio, talvez o maior desafio de toda sua vida.
Como podemos amar alguém e permitir que esse
alguém viva no engano? (Jr 17.9).
Segundo o seu entendimento o que poderia faltar a
uma pessoa que já guardava todos os mandamentos?
O “só uma coisa que faltava” a esse homem era o
amor a Deus sobre todas as coisas.
O desafio colocado por Jesus tinha o objetivo de
descobrir o coração daquele homem e lhe mostrar que o apego às coisas desse
mundo havia se convertido em seu alvo principal, havia ocupado o lugar de Deus
em seu coração.
E aquele que dizia guardar todos os mandamentos
começava tropeçando logo no primeiro grande mandamento (Mt 22.36-37).
Imagine o tamanho da surpresa daquele homem. A
intenção de Jesus não era a de desmascará-lo e sim a de ajudá-lo a entender que
ele não amava a Deus como pensava.
E sua triste retirada (22) comprova que estava
disposto a continuar como estava.
Falar que quer servir a Deus, dizer que ama a
Deus, dizer que conhece a Palavra de Deus é uma coisa. Outra coisa é demonstrar
com nossas atitudes o lugar que Deus ocupa em nossas vidas.
Precisamos de desafios sim, precisamos saber onde
está o nosso coração.
Se quisermos continuar vivendo no erro, podemos,
mas, sem poder dizer que não sabíamos.
O amor que Deus tem por seus filhos exige que Ele
tenha misericórdia de nós, mas não permite que Ele seja cúmplice dos nossos
erros.
O Senhor tem pedido o primeiro lugar a muitos de
seus filhos, e, porque Ele tem pedido isso?
Simples, pelo fato de que o coração de muitos dos
seus filhos é igual ao desse homem.
O mundo em que vivemos tem contaminado o coração
dos servos de Deus de tal maneira que hoje, gastam mais tempo fazendo planos
com o que esse mundo promete do que com os tesouros eternos.
Para aquele homem tão sincero abrir mão de tudo o
que tinha era um preço muito alto só para ser um discípulo de Jesus e ter um
tesouro no céu.
Não estava disposto a abrir mão do que lhe era
precioso para caminhar com Jesus.
Ser um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo não
valia o preço que estava sendo cobrado.
Ainda hoje, em nossos dias existem alguns
cristãos que nutrem um amor maior, mais intenso, fiel, disposto a sofrer para
adquirir e conservar bens.
E, por incrível que pareça, esse amor não está
disponível para Deus.
Quem deve ser o merecedor do nosso maior amor
senão Deus?
Por favor, vamos interromper o que estamos
falando para que você possa fechar os seus olhos e refletir em como você tem
vivido a sua vida cristã e a sua vida secular.
A qual dessas duas vidas você tem dedicado mais
do seu tempo, das suas forças, dos seus recursos? Para qual delas você tem
feito mais planos?
Você tem vivido como cidadão desse mundo ou como
cidadão do céu?
Qual é o lugar que Deus ocupa em sua vida?
Enquanto Deus não for o primeiro lugar em nossas
vidas jamais poderemos dizer que somos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo
porque não os somos.
Existem muitas pessoas prometendo ou querendo um
tesouro no céu sem sequer parar para calcular o preço a ser pago.
Para ser salvo preciso crer, ter fé, e aceitar a
Jesus Cristo como meu único e suficiente Salvador.
Pra ser discípulo preciso seguir de perto a Jesus
Cristo e permitir que Ele seja meu Senhor.
Qual o lugar que Jesus tem ocupado em nossas
vidas? Somente o de Salvador? Ou o de Salvador e Senhor?